Monday, June 21, 2010

A place to call my own.

Era uma pequena criança, até que cresceu, cresceu, cresceu e teve a oportunidade de ver o mundo como poucos. Sorte ou Azar? Hoje ele ainda se indaga sobre isso.

Quando mais novo podia andar tranquilamente entre todos, sem se importar, mas houve um momento em que se via distante, o momento em que havia descoberto que a vida começou.

Na Cidade, plana, onde inicia-se o conto, suas pernas gigantes o impediam de andar em meio as multidões, sem tropeçar, pisar em seus conterrâneos. Seu andar, criava tremores de terra, suas mãos grandes e frias quando balançavam, criavam uma corrente fria de vento insuportável, e suas lágrimas inundavam a sua pequena cidade, onde já não mais podia chamar de sua.

Mudou-se, tentando buscar um outro lugar em que se sentisse confortável, foi para o Oceano.
Tudo parecia ótimo, a não ser a incômoda umidade, deixavam suas mãos e pés enrugados, como se fosse anos mais velho do que deveria ser. O meio modifica as pessoas, e as pessoas modificam o meio. Pouco tempo se passa, e as história se repete com outros finais, seus passos criavam ondas gigantes que se chocavam na praia, afastando os moradores de lá, dele. Suas frias mãos, congelavam a água, impedindo que a utilizassem, e suas lágrimas, aumentavam o nível e a salobridade da água. Mudou-se novamente.

Pensou e pensou, decidiu afastar-se mais, para um lugar menos frequentado, e decidiu ir para as Montanhas, mais altas e longínquas, para ser mais visto, uma posição mais favorável, onde pensou enfim estar em paz com o mundo em que tem tanta dificuldade de se adaptar.
Mas, como sua vida não é um conto de fadas, tudo começa pelo ar, tão rarefeito, que mal conseguia respirar, sentia falta do puro e abundante oxigênio, que havia, lá em baixo. Via-se, e via tudo acontecer, cada vez mais de longe, mas também mais longe, e reparou que algo novamente não estava certo. Seu andar criava desmoronamentos e avalanches, o toque de suas mãos no topo das montanhas, quando sentava para descansar de tanto caminhar, congelava os picos, alterando toda a biosfera do lugar, e suas lágrimas, erosionavam o terreno, compromentendo a estabilidade do local.

Quando deu por si, não havia mais montanha. Não havia mais lugar.
Tudo que restara, fora seus pensamentos e lições aprendidas, que pensara ser as certas. Como sempre, ainda possui dúvidas sobre elas.

Mas (por falta de escolha talvez) ainda havia um lugar...

Um lugar onde fica em repouso absoluto, em paz, sem esbarrar ou destruir os lugares que não lhe pertence, onde suas mãos estão sempre cobertas e quentes, e nem mesmo chora. Aquele lugar onde ele passa cerca de 8 horas ou mais, sonhando, fora aquelas que passa acordado, mas sonhando também, com pessoas reais, que não existem. É um lugar onde ninguém visita, onde ele pode chamar de seu, sem ser incomodado, e melhor pra ele, sem incomodar ninguém.

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